Em verdade vos digo.

Julho 9, 2008

O ser individual.

Arquivado em: Tudo — monotonos @ 3:37 pm

O homem, que naturalmente é um ser social, transforma-se em algo individual e ‘precisamente’ cronológico, condizendo quase totalmente com a realidade em que vive, mesmo essa sendo, em si, contraditória. Dessa forma as relações tornam-se distorções esdrúxulas do que um dia já foram. Partindo dessa premissa podemos dar andamento ao nosso pensamento.
O capitalismo financeiro, em que vivemos, enaltece o consumo, como forma de apagarmos nossa condição de mercadoria e trazermos à tona o humano que jaz dentro de cada um de nós. Seres que possuem sentimentos e os expressam de milhares de formas possíveis, é necessário lembrar de nossa primeira colocação, o homem, antes de mais nada, é um ser social, assim conclui-se que tais sentimentos são correlações entre pessoas. Com o afastamento da rotulação de valor de troca, tornamo-nos valores de uso, para nossos bens. Para que haja a compra, é necessário um interessado, o produto só se completa quando alguém ‘necessita’ dele, assim ele cumpre sua função social. A inversão de valores ocorre nesse momento, quando eu não necessito mais do produto, mas ele necessita de mim para tornar-se um objeto social que cumpriu seu ciclo, assim notamos o quão as relações inter-humanas são postas em segundo plano.
Dessa forma as relações inter-pessoais ganham uma dimensão ínfima, algo superficial, na verdade são ‘apenas’ ligações econômicas e políticas, não que ‘fazer a vida’ não seja fazer política. Então, essas ultrapassam a linha larga entre a amizade e o interesse. Apenas conheço Fulano pois posso pedir algo em troca, Ciclano, pois ele deve-me um favor e assim por diante.
Como diria o “poeta”, a vida cotidiana é corrida, restando, dessa maneira, apenas nossas mercadorias para serem nossas amigas. Então corra, abrace sua geladeira, diga que a ama e que nunca mais esquecerá dela. Quem sabe o Faustão não te dê uns beijos do gordo.

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