Em verdade vos digo.

Dezembro 24, 2008

Sua redação de férias.

Arquivado em: Tudo — monotonos @ 12:58 pm

Dissertem sobre suas férias, pede a professora. Eis que um aluno inicia seu texto assim:
“Minhas férias foram muito proveitosas, sai recolhendo uns camaradas. Para uns tive que dar peixe, para outros fazer vinho e para alguns mais necessitados tive que fazê-los andar, êta gente preguiçosa.
Com a minha turma sai de rolê, só na maloqueiregem mesmo, não queria saber quais os interesse do Estado maior, o lance era fazer, tipo assim, uma nova religião. Mas a moda é ser revolucionário, lembrem de Che Guevara, assim como ele fui para um lugar insólito, lá tive várias alucinações, talvez a insolação tenha me pegado de jeito, mas aí me fortaleci, glóbulos brancos estavam loucos para matar qualquer diabo que entrasse em meu corpo, assim resisti.
Encontrei mulheres de rua, prostitutas coitadas, para manter o vício precisam vender o corpo, assim como o operário, se é que me entende, o que lhe resta, ele vende, vende o trabalho, vende o corpo, então essas coisas param de pertencer a ele, agora são propriedades ‘do coisa’ ruim, talvez dos. Os vícios sócias são grandes, as pessoas vivem mal, por exemplo, eu sou pedreiro, as vezes dizem que sou carpinteiro, mas estão errados, vivo em uma casinha muito humilde, com mais 18 irmãos. Somos oprimidos, apanhamos de policias e de bandidos, cada um tentando reproduzir sua hegemonia na violência, um gerando o outro, mas o vice-versa não acontece, pois a polícia é gerada pela classe dominante, seriam os patrícios? Voltando a prostituta, salvei-a de ser esquartejada, acho que deve ter revidado alguém que não quis pagar, sabem como é a justiça popular, Foucault diz ser boa, mas às vezes é irracional e guiada pelos conceitos sociais existentes, como a propriedade privada.
Depois de um tempo resolvemos fazer um jantar, acho que foi yomango, não lembro direito do ocorrido, mas pegamos uns pães do lixo, isso pegamos. Comemos fartamente, mas eu tava ligado, alguém iria me trair, era um pressentimento, meio místico sabe? Essas coisas se Shiva e talz, chacra, religiosidade. Comemos nossa comida, bebemos vinho, que era água, e saímos felizes. Infelizmente ao sair da ceia fui pego, pela polícia secreta, fui torturado no DOPs, me espancaram até não poder mais, daí confessei, meu nome era Jesus, tive que ser crucificado.
Lá na cruz, não agüentava mais, perdi mais sangue do que um boi sangrando, estava lesado, sem oxigênio na massa cinzenta, eis que o camarada do lado pergunta se eu levo ele para o céu, lógico que levo, da forma que estou, levo até para conhecer Maria Madalena. Infelizmente morri, acabará ali minha história de férias.
No entanto revivi, depois de sete dias, fui inçado, por um guindaste ao reino do céus, lá era tipo um Senhor dos Anéis, não agüente, tive que voltar. Agora estou na escola, escrevendo essa redação meio maluca, mas verdadeira.
Fim.”

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